Os Casos de Harry Hole (2026)

Como uma boa amante de séries policiais, ainda mais daquelas com uma pitada de noir nórdico, eu não poderia deixar de acompanhar Os Casos de Harry Hole. Harry Hole é baseado na série de livros criada pelo escritor norueguês Jo Nesbø, assim como outras séries que adaptaram ou estão adaptando livros que trazem casos de detetives famosos do universo da ficção criminal, tais como: Bosch (baseada nos livros de Michael Connelly) e Autópsia (baseada nos livros de Patricia Cornwell). A série literária conta com 13 volumes, no entanto, os títulos adaptados pela Netflix foram A Casa da Dor (livro 4) e A Estrela do Diabo (livro 5). 

Título Original: Jo Nesbø's Harry Hole
Criação: Jo Nesbø
País de Origem: Noruega/ UK
Gênero: Drama Policial, Nordic Noir
Duração: 68 episódios - 53 min 
Ano de Lançamento: 2026

Harry Hole (Tobias Santelmann) é um detetive brilhante, altamente qualificado, porém traumatizado. Enquanto tenta lidar com todos os seus traumas e perdas, além do vício em álcool, Harry precisa investigar um serial killer que passa a aterrorizar Oslo com mortes ritualísticas e sua marca registrada: um diamante vermelho em forma de estrela. Além disso, Harry suspeita que seu colega de trabalho, o ambicioso Tom Waaler (Joel Kinnaman), está envolvido em um pesado esquema de corrupção, podendo ser o responsável pela morte de sua parceira e melhor amiga, Ellen Gjelten (Ingrid Bolsø Berdal).


Logo de cara, a série não esconde nem faz suspense sobre o envolvimento de Waaler em um grande esquema de corrupção. E, nesse quesito, Kinnaman está perfeito. Ele é o típico vilão cínico e dissimulado que é capaz de qualquer coisa para manter sua posição e seu segredo. No entanto, um dos problemas da série é tentar abraçar o mundo com as pernas, apresentando várias subtramas ao mesmo tempo, fazendo com que o plot principal vá perdendo o fôlego e a relevância. Quando descobrimos quem é o verdadeiro assassino das estrelas do diabo, logo em seguida, já esquecemos dele, porque o desfecho da série praticamente gira em torno do tão aguardado embate entre Hole e Waaler e não em descobrir quem é o verdadeiro serial killer.


Embora a série se perca um pouco, apresentando gangues de rua, relacionamentos abusivos e contrabando de diamantes e de armas sem apresentar um desfecho ou finalidade narrativa para cada um deles, ela tem alguns pontos bastante positivos. Diferentemente de algumas séries nórdicas do mesmo gênero, como Os Assassinatos de Åre, Bordertown, Trapped e Deadwind, em que tudo é gelado, frio, polar, Os Casos de Harry Hole nos apresenta uma Oslo escaldante, sufocante e suja. E essa atmosfera é retratada tão fidedignamente que é possível sentir o calor intenso exalando através da tela. Além disso, a trilha sonora é um grande acerto, trazendo letras de Ramones, Nick Cave, Iggy Pop e P. J. Harvey.


O Harry vivido por Santelmann consegue transmitir todo o universo caótico do personagem. Ele não é simpático, ele não é afetuoso, mas o seu lado humano e empático é "aflorado" quando está ao lado de Rakel (Pia Tjelta) e do filho dela, Oleg (Maxime Baune Bochud), com quem constrói um forte vínculo ao longo dos episódios. Além disso, Harry é implacável e ao mesmo tempo frágil. Quando Ellen é assassinada, vemos como todo o esforço para se manter sóbrio vai por água abaixo e damos de cara com um Harry ferido e autodestrutivo. A atuação de Santelmann é incrível e carrega todo o drama da série nas costas, mostrando de forma nua e crua que, apesar de brilhante, Harry também é seu próprio algoz.


Apesar de aparecer em um único episódio, Ellen é uma personagem tão cativante e envolvente, que eu fiquei bem indignada com a morte dela, sobretudo, do modo como aconteceu. Além disso, os crimes cometidos por Waaler meio que passam batidos, não há punição nem nada que o ligue a nenhuma das mortes pelas quais ele foi responsável, sendo apenas mortes gratuitas para reforçar até onde ele é capaz de ir para não ser exposto. Além do mais, fica subentendido que ele era um policial abusador, mas em nenhum momento a personagem vivida por Ellen Helinder, Beate Lønn, consegue superar seu trauma nem desafiar Waaler sem ter uma crise de ansiedade. Fica subentendido também que existe alguém por trás de todo o esquema de corrupção na polícia, abrindo a possibilidade para uma segunda temporada, já que propositalmente são deixadas algumas pontas soltas que só uma continuação poderia esclarecer. No entanto, acredito que se a série se concentrasse nos assassinatos em série, no esquema de corrupção e tivesse menos episódios, não se perderia tanto dentro das narrativas criadas. No mais, vale a pena assistir e eu espero que a série consiga ser mais feliz ao adaptar o livro 7, Boneco de Neve, do que a adaptação de 2017, The Snowman. [Disponível na Netflix].

Nota: ⭐⭐⭐

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