Collateral (2018)

Se você, assim como eu, ama um drama policial, taí uma sugestão de minissérie para curtir numa sentada. Temos uma Carey Mulligan no papel de detetive assumindo a investigação do seu primeiro caso e não dá para negar o quanto ela está muito bem dando vida à ex-atleta olímpica de salto com vara, Kip Glaspie.

Título Original: Collateral 
Criação: David Hare
País de Origem: Reino Unido
Gênero: Drama Policial 
Duração: 4 episódios - 58 min 
Ano de Lançamento: 2018

Ao investigar o assassinato de um entregador de pizza em Londres, Kip Glaspie começa a perceber que o crime não foi tão aleatório assim. Enquanto tenta descobrir a identidade do entregador, Kip e seu parceiro, Nathan Bilk (Nathaniel Martello-White), descobrem diversas mentiras envolvendo todas as testemunhas do caso: a dona de casa e ex-esposa do deputado David Mars (John Simm), Karen Mars (Billie Piper); a estudante vietnamita sem visto, Lihn Xuan Huy (Kae Alexander); a gerente da pizzaria, Laurie Stone (Hayley Squires); e o colega entregador, Mikey Gowans (Brian Vernel). O que parecia apenas um assassinato nada mais é do que uma grande conspiração.


A minissérie tenta levantar diversas tramas que acabam se conectando de alguma maneira, mas são tantas subtramas dentro da narrativa que acaba soando fácil demais, já que todos têm algum tipo de conexão em uma cidade tão grande quanto Londres. A estudante vietnamita é a única testemunha ocular do crime, mas estava chapada demais para ser considerada uma testemunha totalmente confiável. Ela mente para a polícia sobre seu nome verdadeiro e endereço. Mais tarde, descobrimos que ela é companheira da reverenda Jane Oliver (Nicola Walker), que por sua vez é amiga do deputado Mars. Além dessa conexão, também temos Karen, sua ex-esposa. Ainda envolvendo a figura do deputado Mars, temos um tema ainda mais recorrente na série que é o posicionamento político do parlamento em relação à imigração no Reino Unido, fazendo com que o drama policial pareça uma série mais política do que investigativa.


De certo modo, a questão da imigração acaba sendo relevante já que a vítima era imigrante. No entanto, durante a investigação, Kip e Nathan descobrem que a vítima morava com suas duas irmãs, Fatima (Ahd) e Mona Asif (July Namir). A situação das duas é ilegal e escancara a maneira como os imigrantes ilegais são tratados e explorados como mão de obra barata por seus empregadores. Apesar do forte apelo em prol da imigração no Reino Unido, a série também expõe a situação das mulheres no exército, evidenciando como o assédio moral e sexual é presente e enraizado. E é aí que surge a figura da capitã Sandrine Shaw (Jeany Spark), que tenta lidar com os sintomas do TEPT, após vivenciar um grande trauma, enquanto é usada por seu superior e enganada por um amigo da família.


Embora haja diversos núcleos temáticos, que acabam diluindo um pouco o foco na investigação criminal, a atuação de Mulligan consegue atrair a atenção do expectador para a resolução do assassinato de Asif. Mesmo grávida, vemos uma personagem perspicaz, de certa forma empática, inteligente e determinada. Glaspie não se resume à sua gravidez, muito pelo contrário, o foco não é esse e nem precisamos lidar com dramas desnecessários de partos complicados devido a algum acidente grave. Somos apresentados a uma detetive esperta que não se baseia apenas em suposições, mas em fatos que vão surgindo ao longo da investigação. Além disso, ela não precisa ser carismática para ser eficiente e nesse ponto eu acho que a construção da personagem foi muito acertada, apesar de eu não poder falar o mesmo das escolhas narrativas para o desfecho de todos os envolvidos na conspiração que culminou em dois assassinatos. Mesmo assim, vale a pena assistir. [Disponível na Netflix].

Nota: ⭐⭐⭐

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