Eu, Tu, Ele, Ela é considerado um dos primeiros longa-metragem da cineasta belga Chantal Akerman. Profundamente intimista e experimental, o filme funciona como um marco do cinema feminista, por retratar a solidão e o desejo feminino entre duas mulheres, além de ser o trabalho mais audacioso de Akerman, ao colocar em xeque a relação sexual entre duas mulheres do ponto de vista feminino [Azul É a Cor mais Quente, por que choras?]. Além disso, Eu, Tu, Ele, Ela é tido como um marco do cinema feminista dos anos 1970.
Título Original: Je Tu Il Elle
Direção: Chantal Akerman
Roteiro: Chantal Akerman; Eric De Kuyper; Paul Paquay
País de Origem: Bélgica/ França
Gênero: Comédia, Drama
Duração: 86 min
Ano de Lançamento: 1974
Eu, Tu, Ele, Ela nos conta a história da jovem Julie, interpretada pela própria Chantal, que tenta lidar com o fim do seu relacionamento. Em completo isolamento, Julie divide o seu tempo entre escrever cartas para a sua amada e vivenciar a solidão de seu apartamento vazio. Impondo a si mesma essa reclusão social, Julie decide dar um novo rumo a sua vida e parte em uma viagem singular com um motorista de caminhão solitário (Niels Arestrup).
Os dois trocam casos de amor malfadados, enquanto viajam e param para comer no meio do caminho. Ambos possuem amores não resolvidos o que faz com que se solidarizem com a solidão um do outro. No entanto, antes de chegar ao seu destino, Julie faz um "agrado" ao caminhoneiro que, depois disso, segue sua viagem. Finalmente, ao reencontrar sua ex-namorada (Claire Wauthion), Julie tenta convencê-la a deixar que ela passe a noite em sua casa. Relutante, a ex-namorada aceita deixá-la entrar, mas deixando claro que Julie não poderia passar a noite.
Embora fale de amor, Eu, Tu, Ele, Ela não é um filme romântico. Julie se entrega ao fundo do poço, trancada em seu apartamento, alimentando-se exclusivamente de açúcar diretamente do pacote. E só passamos a entender o que está acontecendo quando ela começa a escrever. É por meio da escrita que percebemos a dor, o desejo e a paixão de Julie pela ex. Após experimentar o vazio, o tédio, a fome, a solidão e a autopiedade por vontade própria, é que Julie decide partir em uma viagem errante até sua ex. Sem garantias nem certezas de que isso daria certo.
Como eu disse lá no início, Eu, Tu, Ele, Ela é o trabalho mais íntimo e audaz de Akerman, sobretudo, pelo fato de vermos a própria cineasta atuando e entregando uma Julie destemida de seu desejo e de sua sexualidade. Eu, Tu, Ele, Ela é um filme provocador, minimalista e bastante autoral, mostrando como o fim de um relacionamento pode ser deveras devastador. Recomendo. [A priori, eu assisti ao filme quando estava disponível no catálogo do Sesc Digital, mas já faz um tempinho que vi por lá. Acho que é possível encontrar o filme no Filmicca].
Nota: ⭐⭐1/2

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